terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Do amor ao seu revés

O que era amor virou pedra
Pedra perdida no meio do asfalto
E todos os planos, sonhos e delírios
Viraram pesadelos, dúvidas, vertigem
As palavras vagas vagam na escuridão
Os rostos não mais se encontram nas esquinas dos caminhos
Os sorrisos agora amarelos sorriem e se espatifam
Amargos pedaços caem em chuva torrencial
Veias entupidas entopem o tráfego
Furo no peito derramando o leite derramado
Esvazia-se a vida vazia
Expurgando a vida morta

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Da série: Dramáticos & Existencialistas

Elis diz: Como assim, o açucar acabou?!

Da série: Dramáticos & Existencilistas

Piaf diz: mon café refroidi!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O
dia
a
dia
adia
a
alegria
...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

2012: O fim da festa fúnebre?

O tempo se esvai
exaurido na calçada
com latas de cervejas e urina dos bêbados.

O rato passeia
e para para roer a roupa do mendigo no chão.

Um menino acizentado sentado na sarjeta
come resto de comida catada do lixo
Um outro em pé
chama-me de tio e me pede um cigarro.

Eu me embriago enquanto assisto cenas surreais do cotidiano banal.

Se 2012 realmente for o fim desta festa fúnebre,
será que perceberemos que já estamos quase mortos?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Banalidades existenciais

Medo do próximo instante de vida.
Dor no peito. De morte?!
A vida é tão assustadora, às vezes.
Enigmática, sombria...
Todos esses sinais
são premonições de uma tragédia
ou apenas gases?

quinta-feira, 9 de julho de 2009



Inicialmente não pensei que estivesse falando comigo, por isso fiquei parado (observando). Só agora tomei ar e decidi te responder. Enquanto escrevo vc dorme, então sou eu que espero... Que espero que me diga mais... Que me fale das coisas do seu mundo. Que me mostre suas coisas sem sentido... Adoro coisas sem sentido, elas escondem todas as cores que juntas se travestem de branco. Não sei se a sua coragem de me desnudar de forma tão leve e intensa me trouxe o pudor que há tempos, desde que me tornei homem, não sentia. Um desnudar que perco meu peito inflado, meus ombros erguidos e torno-me um simples homem... Tão homem quanto qualquer outro homem da face da terra. Não estou acostumado a me sentir assim, por isso não entrei ao primeiro chamado. Mas agora me sinto pronto... Talvez, pronto, não seja a palavra. Acho que me sinto preparado. Quero adentrar em seu mundo e vivencia-lo em cada viela, cada beco escuro. Descobrir seu centro e sua periferia... Passear no mais profundo abismo de ti até o mais raso da sua superfície. Assim como a noite chega e cobre o dia, num abraço singelo e misterioso fundir-me-ei em ti.

domingo, 14 de junho de 2009


Acordou lembrando da cançaõ que diz que a vida é bela, o sol uma estrada amarela, e assim foi conferir o que havia de belo e de sol amarelo para além do seu quarto escuro, e da sua sala com pequenos pedaços de sol nas brechas da janela.
Comprou uma rosa vermelha, e levava, também, seus cachos de cabelo recém cortados para presentear Iemanjá.
A dona das águas salgadas abraçou os cabelos que se misturaram com as ondas e se perderam na imensidão do mar. Já a rosa passeou por entre seus braços, mas foi cuspida como uma poça de sangue na areia branca da praia vazia.

sábado, 13 de junho de 2009

Zilá, a sombra de Paula Smith

Os pés no chão do terreiro
A tatuagem nos pés
A barra do vestido
lilás
O rosto atrás dos cabelos
A face que se revela
não traz a vida
esperada
Por um momento pensei que fosse você.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sempre achei estranho o estranhamento das pessoas que me ouviam dizer - que dia lindo!, ao ver um céu nublado, com diversas gradações de cinza, azul-escuro e todas as demais nuances de um dia molhado.
Sinto que nos dias de forte chuva cresce uma melancolia em mim, um musgo de tristeza que, também, consigo perceber como uma fase linda e de grande valia para reconhecer e contemplar a chegada dos meus verões, outonos e primaveras.

"Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba, não"

(Salve Ramom e todas as suas divagações molhadas que fizeram florescer as minhas.)